domingo, 17 de outubro de 2010

O TERMO QUE FALTA (E esta lacuna é tudo).

Eu não pergunto às palavras como me sinto, eu me transformo nelas.

Esculpindo poemas em cartas, repara: quem está no ponto cego vê.


Se este momento é o que deve ser,

Seja o termo que falta

E esta lacuna é tudo.


Confunda-se.

Imaginário-real - do-simbólico-imaginário-do-real.


O mais afetuoso é certo e possível.

O amor em seu instante vulgar também.


O ego é este servo agitado entre dois senhores e não há nada mais angustiante que o registro imanente da castração.

Se amar for dar o que nos falta a quem não o quer...

...vá entender Cecília...


“Não ames com amor. Ama sem amor. Ama sem querer. Ama sem sentir.
Ama como se fosses outro. Como se fosses amar. Sem esperar. Por não esperar ...
Se o amor leva à felicidade, se leva a algum destino, se te leva.
E se vai, ele mesmo...”


...venha.

Sem perceber estará engasgando com os meus sentidos.


Vence a miséria de ter medo.

Mas se não vier, pra onde iremos?

Pro platonismo dos pensamentos furtados durante o dia? À paixão da idéia?


As respostas são muitas, a pergunta única e insubstituível, diria um poeta.

Há metafísica bastante em não pensar em nada, diria outro.



De qualquer forma, aqui estou eu, aqui está a minha vida

‘com desenhos de andar dedicados ao vento’.

Paradoxo Particular


‘Frente a frente, derramando enfim todas as palavras, dizendo com os olhos, silencio que não é mudez’.


Talvez o tempo seque tudo.

As palavras, a saudade, as memórias.

Talvez o tempo deixe alguma imagem e só,

Andando ‘seca e vazia’.


Saberemos...

Se no espaço íntimo do seu peito,

Afeta sentir que somente duas mãos no mundo podem escrever certas coisas, e que o violão que esconde as poesias de um terço da sua vida é meu...

...da vida sonhada e do sonho vivido.


Acabamos confundindo as pernas com que devíamos seguir.

O revés do beijo... na intensidade do avesso.


De todos os seus amores um lhe furtou o sentido da alma...

Alguém sente metade dos seus medos, sente quando ri cravando, ou quando calada, nem sabe que chora.


‘Vivemos do que perdura, não do que fomos’.


Por isso,

Saberás que ainda que não pense

Nunca deixará de lembrar que esqueceu.


E que este é o nosso paradoxo particular...